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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Pensando gestão rural - e a situação energética no Brasil (CSP)

Coluna Jornal das Missões- 15.08.2013


Carolina Bilibio é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras, com estágio na Universidade de Kassel, Alemanha. Possui graduação em agronomia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí. Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br
 
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Pensando gestão rural - e a situação energética no Brasil (CSP)
A energia é um item essencial para a vida humana, assim como a água e o ar. A energia humana e animal foram às energias mais utilizadas no início do desenvolvimento das sociedades. Posteriormente a lenha passou a ser utilizada pelo homem para o aquecimento e preparação dos alimentos. Porém, com o aumento da população e com o desenvolvimento das atividades econômicas, não somente aquelas ligadas a agricultura, outras fontes energéticas começaram a ser utilizadas, como o carvão mineral e os derivados do petróleo - gasolina e o diesel. As primeiras petrolíferas surgiram por volta de 1850.
Um dos itens utilizados para verificar o grau de desenvolvimento de um país é a oferta e o consumo de energia, expressa em toneladas equivalente de petróleo - tep, que representa também o acesso a bens de consumo essenciais e a serviços de infraestrutura pela população. Uma tonelada de petróleo equivale a 10 milhões de quilocalorias (kcal) (Goldemberg & Lucon, 2007).
No Brasil, a oferta interna de energia foi de 1,29 tep por habitante em 2007, oferta energética inferior a média mundial de 1,8 tep por habitante (Vichi & Mansor, 2009), inferior também a oferta de energia primária de 14,6 tep na Islândia e a 9,6 tep em Luxemburgo, mas superior ao continente africano, que apresenta uma oferta de menos de 1 tep no mesmo período (OECD, 2009). Alguns estudos indicam que quando a oferta de energia per capita é inferior a uma tonelada equivalente de petróleo por ano, as taxas de analfabetismo, mortalidade infantil e fertilidade são altas, enquanto a expectativa de vida é baixa.
O cenário energético atual do Brasil, com referência ao ano de 2012 segundo o Balanço Energético Nacional realizado pelo Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (2013), aponta para um consumo de 42,4% de energias renováveis (maior do que a média mundial de 14%), e 57,6% de energias não renováveis. As energias renováveis incluem derivados de cana-de-açúcar - 15,4%, hidráulica e eletricidade - 13,8%, lenha e carvão vegetal - 9,1% e as energias não renováveis incluem o gás natural - 11,5%, carvão mineral e derivados - 5,4%, petróleo e derivados - 39,2% e urânio e derivados - 1,5%.
Os setores que mais consomem energia no Brasil são: indústrias – 35,1%; transporte: 31,3%, residencial: 9,4%, setor energético – 9,0%, agropecuária – 4,1%, serviços, 4,5%. O consumo total de energia em 2012 foi de 283,6 milhões de tep. Para 2030 se espera um consumo variando entre 309 e 474 milhões de tep para uma população projetada de 238 milhões de habitantes (MME, 2007).
O setor energético é responsável pela emissão de aproximadamente 2/3 dos gases que provocam o efeito estufa, já que mais de 80% da energia global consumida é proveniente de combustíveis fósseis - carvão mineral, petróleo e gás natural. Os países que não integram a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento – OCED, são responsáveis na atualidade por 60% das emissões globais. A china é o segundo país com maior consumo energético global, atrás somente dos Estados Unidos. A China é também o maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa. Alguns estudos indicam que em maio de 2013, a concentração de gás carbônico na atmosfera foi superior a 400 partes por milhão pela primeira vez em centenas de anos (International Energy Agency, 2013).
É sabido que a concentração excessiva de gás carbônico na atmosfera é um dos principais fatores responsáveis pelas alterações climáticas que podem provocar maior freqüência e intensidade de fenômenos extremos, como tempestades, enchentes, ondas de calor além da elevação do nível do mar e aumento das temperaturas médias.
Para concluir se destaca que temas relacionados a bioenergia, eficiência energética e energias renováveis, podem permanecer com um dos principais temas de estudos para atender de forma sustentável o desenvolvimento dos países.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Pensando gestão rural - e a energia heliotérmica no Brasil (CSP)

Coluna Jornal das Missões- 15.08.2013



Carolina Bilibio é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras, com estágio na Universidade de Kassel, Alemanha. Possui graduação em agronomia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí. Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br
 
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Pensando gestão rural - e a energia heliotérmica no Brasil (CSP)

A energia solar é a energia mais abundante do planeta. Na atualidade existem quatro tecnologias disponíveis para captar a energia solar (1) Energia solar concentrada - Concentrated Solar Power - CSP, que no Brasil, foi denominada de energia heliotérmica; (2) Energia Fotovoltaica; (3) Energia solar térmica; (4) Energia solar de combustíveis. A energia heliotérmica trata da energia elétrica produzida a partir da concentração da irradiação solar direta. A irradiação solar é determinada pela quantidade de radiação solar incidente por unidade de área, dada em watt hora por metro quadrado (Wh/m²). Guimarães et al. destacam no texto “Caracterização dos sítios potenciais na região do semi-árido brasileiro para implantação de sistema piloto heliotérmico de geração elétrica” (2004), que a energia heliotérmica pode ser obtida por meio de quatro fases: (1) coleta da irradiação solar; (2) conversão da irradiação solar em calor; (3) transporte e armazenamento do calor; (4) conversão final do calor em energia. A captação da irradiação solar é feita por meio de dois principais sistemas: torres centrais e cilindros parabólicos. No Brasil, a região do semiárido é a que apresenta maior potencial de utilização deste sistema, já que dispõe das melhores condições de irradiação solar direta devido à baixa intensidade de nuvens e reduzido volume de precipitação. Em abril de 2013 foi anunciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o primeiro projeto piloto da América Latina sobre Energia Solar Concentrada (CSP) em Petrolina, Pernambuco, que está sendo realizado em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Governo da Alemanha (GIZ). Este projeto irá gerar um megawatt de energia. De acordo com o Instituto de Energia SBC (Schlumberger Business Consulting – 2013) as regiões com maior potencial de utilização da energia solar concentrada no mundo são: o Oriente Médio, Norte da África, Austrália, África do Sul; e algumas áreas dos Estados Unidos, Chile, Espanha, Índia e Deserto de Gobi (China) - regiões consideradas áridas ou semiáridas. Os sistemas de energia solar concentrada possuíam uma capacidade instalada de 2,8 Gigawatts ao redor do globo no final de 2012, e as projeções apontam para uma capacidade instalada de 11 GW até 2017. A Espanha é país detentor da maior capacidade instalada do mundo para produção de energia heliotérmica - 1,8 GW. O primeiro projeto implantado com energia heliotérmica foi nos Estados Unidos, entre 1985 e 1991, na região da Califórnia, com uma capacidade de gerar 354 MW de energia elétrica. Alguns estudos têm sido feitos para verificar o potencial de utilização da energia solar concentrada para outros fins, e não somente a energia elétrica. Munir & Hensel (2010) utilizaram refletores parabólicos Scheffler na destilação de plantas aromáticas e medicinais, como Melissa, pimenta e alecrim. Os refletores parabólicos também têm sido utilizados para preparar alimentos, principalmente na Índia e no continente africano (Scheffler, 2013). Por fim se destaca que a energia heliotérmica é uma energia limpa, renovável e pode contribuir com a redução das taxas de gás carbônico na atmosfera. Muitos estudos precisam ser feitos para aumentar a eficiência e a viabilidade econômica destes sistemas, prova disso, é chamada de projetos de pesquisa na área de energia heliotérmica realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, no início de agosto de 2013 e que encerra no dia 16 de setembro de 2013, por meio do Programa iNoPa – Programa Novas Parcerias Integradas.


sábado, 10 de agosto de 2013

Dia dos Pais - Ao meu pai José Carlos( Barroso)

Oi, PAI! Tô com tantas saudades de você que nem cabe no meu corpo... são saudades boas, do tempo em que íamos ao Madeira, lembra¿  Você a pé e eu na bicicleta comprada de segunda mão e pintada pelo senhor na cor azul. Ficou tão bonita! Eu adorava aquela bicicleta e mais que tudo, as nossas idas ao ‘Madeira’.
Lembro-me das vezes em que ia ao encontro do senhor, na saída da extinta RFFSA e havia uma banca de frutas, bem abaixo da paineira e, sempre que tinha e o senhor podia comprar, levávamos carambolas, aliás, o senhor é o Pai da natureza, das frutas, dos passarinhos, galinhas, bichinhos... o verde ficou menos verde sem o senhor...
Durante a semana, pelas manhãs, eu ia para a escola e voltava para o almoço com todos na casa, mas à tarde, era o período do dia mais aflitivo para mim, pois eu pensava no senhor andando em meio aos vagões e trilhos e sentia muito peso no meu coração. Eu tinha muito medo que sofresse um acidente lá, mas quando davam horas da tua volta, eu ia correndo esperar lá for e sentia um alívio enorme quando via meu pai gordinho e amado, sorrindo para mim. Era um tempo tão feliz, apesar de tantas dificuldades, PAI!
Lembra da vez que o senhor me esperou feliz da vida, na porta de casa e disse-me: Líbia, seu telefone saiu, veja que bom! ’”Você vai dar uma entrada e parcelar o restante’.” Eu disse que tinha medo de não conseguir pagar, mas o senhor não me deixou desistir, aconteceu o mesmo com a faculdade num tempo em que manter-se na faculdade era um privilégio de poucos, mas o senhor queria que eu estudasse mais e dizia que isso (os estudos) ninguém tiraria de mim.
Houve um dia, não sei se o senhor se lembra, mas eu deveria ter uns 4 anos e brincava sobre a tua barriga e resolvi  escutar teu coração batendo, mas não consegui e , lembro-me como se fosse hoje que comecei a chorar pensando que o senhor ia morrer...mas o inevitável aconteceu 30 anos depois desse dia e hoje estou aqui para conversar um pouquinho sobre o amor que sinto pelo senhor  que foi  exemplo de pai, marido , homem honrado...dizer que TE AMO!!  e que está sempre comigo, de verdade, está sempre bem perto de mim.
A Gabi está linda, pai! Sinto tua colaboração em cada momento difícil superado, em cada conquista, em cada reencontro com a mãe, meus irmãos, minha irmã, a tia Tereza e o tio Jorge (seus irmãos que estão aqui).
Amanhã é o dia dedicado oficialmente aos Pais, mas para mim esse dia é todos os dias, porque você vive dentro de mim e é refletido por cada pessoa da família.
Agradeço por tudo que fez por nós (família) e a Deus pela oportunidade de me tornar tua filha e ser da família que sou. TE AMO, TE AMO, TE AMO!!!Você é muito importante para nós, PAI!!
Um beijo enorme... se puder aparece em sonho para dar aquele abraço ...fica com Deus e Feliz dia dos Pais, meu amor!!

Líbia Aparecida Carlos

domingo, 4 de agosto de 2013

Pensando gestão rural - e a extensão rural no Brasil

Coluna Jornal das Missões- 08.08.2013


Carolina Bilibio é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras, com estágio na Universidade de Kassel, Alemanha. Possui graduação em agronomia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí. Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br
 
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Pensando gestão rural - e a extensão rural no Brasil
A extensão rural pode ser entendida como o serviço de educação não formal de caráter continuado, no meio rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das atividades agroextrativistas, florestais e artesanais (Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural – ASBRAER, 2012).
A implantação da extensão rural no Brasil iniciou-se por volta de 1950, com a Revolução Verde. A Revolução Verde “foi um programa que tinha como objetivo explícito contribuir para o aumento da produtividade agrícola no mundo, através do desenvolvimento da genética, multiplicação de sementes adequadas a diferentes condições e resistentes às doenças, bem como a aplicação de técnicas agrícolas ou tratos culturais mais modernos e eficientes” (Argemiro Jacob Brum, Modernização da agricultura: trigo e soja, 1988). O programa foi idealizado e patrocinado, inicialmente pelo Grupo Rockefeller, com sede em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Este grupo era constituído, por especialistas em genética, edafologia, fitotecnia e um grande número de agrônomos.
Naquele momento, os teóricos julgavam que o atraso do país era devido ao tipo de agricultura desenvolvida na época, de forma “arcaica” e atrasada. Desta forma, a introdução de infraestrutura de produção, principalmente em relação ao uso de sementes certificadas, adubos e equipamentos, e o controle da articulação dos produtores, por meio da assistência técnica e orientação do crédito rural, era vista como a solução para o desenvolvimento do país. Por isso, em 1956 foi criada a Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural – ABCAR, com o apoio do governo do Presidente Juscelino Kubitschek. Em 1975, foi implantado pelo governo do Presidente Ernesto Geisel, o Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural – Sibrater, coordenado pela Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural – Embrater e executado pelas empresas estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural nos estados, as Emater.
Em 1990 a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural foi extinta pelo Presidente Fernando Collor de Mello, este governo desativou ainda a Sibrater e abandonou os esforços realizados para garantir o Serviço de Extensão e Assistência Técnica no Brasil. Em 2003, foi criada a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, que por meio do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural tinha como objetivo a melhoria da renda e da qualidade de vida das famílias rurais, a partir do aperfeiçoamento dos sistemas de produção, de mecanismo de acesso a recursos, serviços e renda, de forma sustentável.
Em junho de 2013, o Governo Federal assinou o projeto de lei que cria a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural - ANATER. As áreas prioritárias desta agência serão a cadeia produtiva do leite, a produção na região do semiárido com tecnologias de convivência com a seca, a agricultura orgânica e de baixo carbono e no acesso às tecnologias avançadas, como agricultura de precisão, automação e cultivo protegido.
É preciso destacar que durante a Revolução Verde, o objetivo da extensão rural era o de formar novos e bons agricultores, capazes de adotar as novas técnicas, principalmente os médios e grandes produtores. A função do extensionista era a de difusão de tecnologias, o que contribuiu para o agravamento dos danos ambientais e sociais, com uma grande porção de agricultores marginalizados do processo, a industrialização da agricultura, a dependência de insumos externos e o êxodo rural.
Já na atualidade a extensão rural pública realizada por meio das Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATERs,  tem entre os seus principais objetivos a assistência técnica e extensão rural aos agricultores familiares para a promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades do campo. A extensão rural deveria ainda buscar a valorização de tecnologias de menor custo e o uso de recursos energéticos locais, ser baseada em conhecimento e tecnologias apropriadas e com foco na sustentabilidade dos sistemas produtivos e nos princípios da Agroecologia (Caporal & Costabeber, “Por uma nova extensão rural: fugindo da obsolência”, 2004). Por fim, o serviço de extensão rural para os médios e grandes produtores fica nos dias de hoje a cargo de cooperativas, associações rurais e empresas privadas de assistência técnica.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pensando gestão rural - e os desafios e as vantagens dos trópicos

Coluna Jornal o Celeiro - 28.09.2012
          
               
Pensando gestão rural - e os desafios e as vantagens dos trópicos

                Entre os dias 11 e 18 de setembro de 2012 aconteceu na Universidade de Giessen, Alemanha, o curso de verão: desafios e as vantagens dos trópicos. Os 25 participantes de três continentes, Africa, Asia e América latina, foram convidados pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico para participar do curso e posteriormente atender o Tropentag, dia dos (Sub) Trópicos, na Universidade de Göttingen, Alemanha, entre os dias 18 e 21 de setembro. Os temas discutidos incluiram: Agricultura e segurança alimentar; Gestão da água; Energia renovável para o desenvolvimento e segurança; Conservação da biodiversidade; Gestão geral de recursos.
                Os principais desafios discutidos relacionados aos temas foram: (1) necessidade  de intervenções tecnológicas e formulação de programas de desenvolvimento que visem produtividades mais elevadas das principais culturas agrícolas, já que a atividade econômica predominante da região dos trópicos é agricultura e o desenvolvimento atual desta atividade não está sendo suficiente para garantir o abastecimento de alimentos na região; (2) necessidade de desenvolver mecanismos para aumentar a quantidade e qualidade da água na região dos trópicos; utilização de água residual; tratamento de água; mecanismos de cobrança de água; (3) conscientização da importância da utilização da energia renovável e a necessidade de cooperação regional para aumentar a capacidade de investimento no setor, mitigando desta forma, os altos custos dos investimentos iniciais; (4) manutenção das práticas tradicionais sustentáveis das comunidades locais que atendam também as demandas econômicas; (5) formulação de políticas públicas participativas; troca de experiências entre países que possuem boas práticas de gestão dos recursos naturais; cumprimentos de leis; gestão do uso e disponibilidade da terra; (6) necessidade de pesquisa sobre os principais impulsionadores e também barreiras para a integração regional como estratégia para a competitividade global; cuidado com aplicações de pronunciamentos globais a nível regional e local, para evitar abordagens de uma solução única.
                Os temas foram discutidos por meio de apresentações realizadas pelos pesquisadores-participantes, entre as quais destacou-se a intervenção do Ministro da Agricultura da Índia, o qual descreveu que a Índia tem sua economia baseada na agricultura, que consome 56% da força de trabalho e contribui com mais de 16% do Produto Interno Bruto. As principais culturas cultivadas são: trigo, arroz, milheto, oleagionas/leguminosas, frutas e vegetais. Os desafios da agricultura na Índia são: baixa mecanização; domínio de pequenas propriedades, mais de 80% dos agricultores tem menos de 1 (um) hectare; baixa produtividade de grãos; elevada exploração de águas subterrâneas; baixo valor agregado dos produtos; baixa fertilidade dos solos; incerteza nos preços agrícolas. Consequentemente, as medidas dos programas governamentais para desenvolver o setor incluem demonstrações de técnicas de conservação do solo e da água, demonstrações de técnicas que visem o aumento de produtividade, disponibilidade de crédito para aumento da mecanização, promoção da micro irrigação.
                Outra intervenção com contribuições importantes foi realizada pelo Diretor Geral do Instituto da Conservação da Biodiversidade da Etiópia, o qual destacou o papel da agrobiodiversidade (ou biodiversidade agrícola) para a segurança alimentar e adaptação às alterações climáticas, enfatizando que a agrobiodiversidade promove a manutenção da fertilidade do solo, controle de doenças e pragas, manutenção do ciclo hidrológico, controle da erosão, sequestro do carbono.
                Por fim, destaca-se que o curso teve como objetivo final, a formação de networks para o desenvolvimento de futuros projetos de pesquisa entre os países /instituições participantes.
               Fotos retiradas por líbia Aparecida Carlos
Países dos participantes do curso na Universiade de Giessen                                 Participantes do curso na Universidade de Giessen

Carolina Bilibio, é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras/UniKassel. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pensando gestão rural - e o preço das terras no Brasil

Coluna Jornal das Missões- 01.08.2013


Carolina Bilibio é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras, com estágio na Universidade de Kassel, Alemanha. Possui graduação em agronomia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí. Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br
 
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Pensando gestão rural - e o preço das terras no Brasil

Há quem diga que o preço das terras se desvalorizará, mas será mesmo? É sabido que o mundo possui 13 bilhões de hectares de solo, destes, 4,4 bilhões possuem potencial de utilização como terras agrícolas, dois quais são cultivados atualmente 1,5 bilhões - aproximadamente 12% dos solos disponíveis no globo (FAO, 2011). Cerca de 90% da área restante com potencial de utilização agrícola no mundo situa-se na América Latina e na África Subsaariana, e mais de 50% em sete (7) países: Brasil, República Democrática do Congo, Sudão, Angola, Argentina, Colômbia e Bolívia (FAO Statistical Yearbook, 2012).
Nos últimos 50 anos, a área global cultivada por pessoa reduziu, passando de 0,44 hectares para 0,25 hectares, enquanto a produção agrícola mundial multiplicou entre 2,5 e 3 vezes. Mesmo com a intensificação e aumento da produtividade agrícola dos últimos anos, o mundo ainda carece de resolver o problema da fome, cerca de um bilhão de pessoas encontram-se em situações de desnutrição no mundo, principalmente na África Subsaariana (239 milhões) e na Ásia (578 milhões). Alguns estudos indicam que em 2050, uma pessoa a cada 20 indivíduos, estará em estado de desnutrição.
A população mundial continua em expansão. O mundo possui na atualidade 7,2 bilhões de pessoas, para 2025 se projeta uma população de 8,1 bilhões de pessoas e para 2050, uma população de 9,1 bilhões de pessoas (FAO, 2011). Esta população projetada para 2050 demandará 70% a mais de alimentos ao redor do globo podendo chegar a 100% relativo a 2009 em países em desenvolvimento.
O Brasil possui 851 milhões de hectares de solos, em 70% deste total (596 milhões de hectares) não há atividade agrícola, pois incluem as áreas do Pantanal, da Amazônia, reservas florestais, reservas indígenas, estradas etc. Nos 30% restantes (255 milhões de hectares), são desenvolvidas as atividades de pecuária e agrícola. O cultivo das 62 principais culturas é realizado em cerca de 64 milhões de hectares (Ministério do Meio Ambiente, 2006)
A Agência de consultoria do agronegócio - Informa Economics - FN, avalia bimestralmente o preço das terras por meio dos negócios realizados ou por meio dos preços pedidos pelos proprietários de terras no Brasil e em vários Países. De acordo com este estudo, o preço médio das terras no Brasil no último bimestre de 2012 foi de R$ 7.473 por hectare, tendo uma elevação de 227% desde 2003, quando o preço médio das terras no Brasil era de R$ 2.280, com uma elevação de 12,6% ao ano, um pouco mais do que quase o dobro da inflação média anual, de 6,4% (Informa Economics FNP, 2013).
Quando se considera o preço médio das terras por região, se verifica que a Região Sul do Brasil foi a que apresentou no último bimestre de 2012 o maior valor médio por hectare, R$ 15.020, seguido pela Região Sudeste: R$ 12.345, Região Centro-Oeste: R$ 6.363, Região Nordeste: R$ 3.292 e Região Norte: R$ 2.228. É no Estado de Santa Catarina que se encontra a terra mais cara do país, em torno de R$ 43.000 por hectare.
Para complementar, quando se considera a valorização das terras no Brasil nos últimos 36 meses - de Janeiro de 2010 a dezembro de 2012, a Região Centro-oeste se destaca, com uma valorização média de 82%, seguida pela Região Nordeste - 62,2%; Região Norte - 56,6%, Região Sudeste - 56,9% e Região Sul - 58,3% (Informa Economics FNP, 2013). Quando se considera a valorização das terras nos últimos 10 anos, as terras que mais se valorizaram foram as da Região Nordeste e a Norte. No Nordeste, o preço do hectare subiu 13,5% ao ano – principalmente nos estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia; e no Norte, a valorização anual foi de 13,3%.
Após os dados apresentados, sobre a valorização das terras no Brasil, e considerando ainda a projeção do aumento da população, aumento da demanda de alimentos e energia, necessidade de combater a fome e desnutrição, problemas com desertificação que compromete cerca de 12 milhões de hectares por ano, salinização de áreas cultivadas que ocorre em 10 milhões de hectares anualmente, que a terra é um ativo que não se multiplica e que ainda é por meio da terra que se produz alimentos, se questiona: haverá mesmo uma desvalorização das terras produtivas no Brasil?

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pensando gestão rural - e os desafios e as vantagens dos trópicos

Coluna Jornal o Celeiro - 28.09.2012

Carolina Bilibio             
               
Pensando gestão rural - e os desafios e as vantagens dos trópicos

                Entre os dias 11 e 18 de setembro de 2012 aconteceu na Universidade de Giessen, Alemanha, o curso de verão: desafios e as vantagens dos trópicos. Os 25 participantes de três continentes, Africa, Asia e América latina, foram convidados pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico para participar do curso e posteriormente atender o Tropentag, dia dos (Sub) Trópicos, na Universidade de Göttingen, Alemanha, entre os dias 18 e 21 de setembro. Os temas discutidos incluiram: Agricultura e segurança alimentar; Gestão da água; Energia renovável para o desenvolvimento e segurança; Conservação da biodiversidade; Gestão geral de recursos.
                Os principais desafios discutidos relacionados aos temas foram: (1) necessidade  de intervenções tecnológicas e formulação de programas de desenvolvimento que visem produtividades mais elevadas das principais culturas agrícolas, já que a atividade econômica predominante da região dos trópicos é agricultura e o desenvolvimento atual desta atividade não está sendo suficiente para garantir o abastecimento de alimentos na região; (2) necessidade de desenvolver mecanismos para aumentar a quantidade e qualidade da água na região dos trópicos; utilização de água residual; tratamento de água; mecanismos de cobrança de água; (3) conscientização da importância da utilização da energia renovável e a necessidade de cooperação regional para aumentar a capacidade de investimento no setor, mitigando desta forma, os altos custos dos investimentos iniciais; (4) manutenção das práticas tradicionais sustentáveis das comunidades locais que atendam também as demandas econômicas; (5) formulação de políticas públicas participativas; troca de experiências entre países que possuem boas práticas de gestão dos recursos naturais; cumprimentos de leis; gestão do uso e disponibilidade da terra; (6) necessidade de pesquisa sobre os principais impusionadores e também barreiras para a integração regional como estratégia para a competitividade global; cuidado com aplicações de pronunciamentos globais a nível regional e local, para evitar abordagens de uma solução única.
                Os temas foram discutidos por meio de apresentações realizadas pelos pesquisadores-participantes, entre as quais destacou-se a intervenção do Ministro da Agricultura da Índia, o qual descreveu que a Índia tem sua economia baseada na agricultura, que consome 56% da força de trabalho e contribui com mais de 16% do Produto Interno Bruto. As principais culturas cultivadas são: trigo, arroz, milheto, oleagionas/leguminosas, frutas e vegetais. Os desafios da agricultura na Índia são: baixa mecanização; domínio de pequenas propriedades, mais de 80% dos agricultores tem menos de 1 (um) hectare; baixa produtividade de grãos; elevada exploração de águas subterrâneas; baixo valor agregado dos produtos; baixa fertilidade dos solos; incerteza nos preços agrícolas. Consequentemente, as medidas dos programas governamentais para desenvolver o setor incluem demonstrações de técnicas de conservação do solo e da água, demonstrações de técnicas que visem o aumento de produtividade, disponibilidade de crédito para aumento da mecanização, promoção da micro irrigação.
                Outra intervenção com contribuições importantes foi realizada pelo Diretor Geral do Instituto da Conservação da Biodiversidade da Etiópia, o qual destacou o papel da agrobiodiversidade (ou biodiversidade agrícola) para a segurança alimentar e adaptação às alterações climáticas, enfatizando que a agrobiodiversidade promove a manutenção da fertilidade do solo, controle de doenças e pragas, manutenção do ciclo hidrológico, controle da erosão, sequestro do carbono.
                Por fim, destaca-se que o curso teve como objetivo final, a formação de networks para o desenvolvimento de futuros projetos de pesquisa entre os países /instituições participantes

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Espaço Nordestino









Pensando gestão rural - Planejamento estratégico: é preciso(!?)

Coluna Jornal o Celeiro - 29.06.2012
                                          
Pensando gestão rural - Planejamento estratégico: é preciso(!?)
Planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro de decisões presentes” (Peter Drucker)
Atualmente, a globalização da economia exige que os produtores rurais se transformem em empresários rurais, através de uma nova postura gerencial que demanda uma ampla gama de conhecimentos gerais e o domínio na condução do negócio, levando o agricultor a lidar com aspectos técnicos, econômicos, mercadológicos, de recursos humanos e ambientais. Estas mudanças elevam a complexidade gerencial da produção agrícola, tornando indispensável que o empresário rural tenha estratégias de gestão bem definidas, pratique planejamento e, através de orçamentos e do conjunto de informações numéricas da sua empresa, possa aperfeiçoar a tomada de decisão permitindo ganhos de eficiência que podem garantir a sua continuidade, apesar das margens de rentabilidade cada vez mais apertadas, acompanhando a tendência de outros segmentos competitivos da economia. O Planejamento pode ser considerado como um processo, desenvolvido para o alcance de uma situação desejada de um modo mais eficiente e efetivo, com a melhor concentração de esforços e recursos pela empresa. Já o Planejamento estratégico é uma técnica administrativa, que através da análise do ambiente externo e interno de uma organização, desenvolve a consciência das oportunidades e ameaças de um empreendimento, dos seus pontos fortes e fracos para o cumprimento da sua missão, com estratégias adequadas para aproveitar as oportunidades e evitar os riscos no contexto do cenário futuro. O planejamento estratégico nas empresas rurais, aquelas que exploram a capacidade produtiva dos solo, através do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas, pode contribuir para a analise de seu ambiente externo e interno, destacando-se as principais oportunidades e ameaças com relação a evolução da empresa para cumprir sua missão, considerando algumas tendências do setor agrícola, que podem estar relacionadas a produção orgânica, novas formas de comercialização, novas tecnologias, novas formas de financiamento, facilidade de acesso as informações, clima. Já na análise do ambiente interno da organização evidencia-se os pontos fortes e fracos da empresa, que podem afetá-la no decorrer da sua evolução, como os índices de produtividade, sistema hídrico, armazenagem. Mas este processo é constante, principalmente quanto a implantação do plano, para concretizar ao longo do tempo os objetivos da empresa.
Carolina Bilibio, é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade de Lavras/UniKassel. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br

domingo, 21 de julho de 2013

Pensando gestão rural - e o manejo da água em áreas irrigadas no Brasil

Coluna Jornal das Missões- 25.07.2013


Carolina Bilibio é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras, com estágio na Universidade de Kassel, Alemanha. Possui graduação em agronomia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí. Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br
 
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Pensando gestão rural - e o manejo da água em áreas irrigadas no Brasil

A agricultura irrigada é o setor que mais consome água no mundo, cerca de 70% das águas retiradas de rios e lagos é utilizada em irrigações, chegando a 95% em países em desenvolvimento (Duehrkoop, 2011).  Considerando que água é um fator limitante em várias regiões do globo devido a problemas com disponibilidade, qualidade e conflito com outros setores como energia, indústria, consumo humano e animal, torna-se crucial na atualidade o uso racional deste recurso – a água.
Para implantar um sistema de produção irrigado não basta a aquisição dos equipamentos necessários para aplicar ou distribuir a água, é preciso também, pensar sobre os critérios que serão utilizados para realizar o manejo das irrigações, ou seja, quando iniciar as irrigações e quanto de água aplicar em cada irrigação.
Com um correto manejo da irrigação, obtém-se economia de água e energia, ganhos em produtividade e qualidade dos produtos. Porém, com manejo inadequado, pode ocorrer deficiência de água no solo -  reduzindo a produção e/ou a qualidade do produto; ou excesso de água no solo - resultando em perdas de água e energia, lixiviação de nutrientes com risco de contaminação do lençol freático.
O momento de irrigar é dependente do turno de rega (intervalo entre as irrigações - dias) empregado, podendo ser fixo – por exemplo, irrigações a cada 3 (três) dias, ou variável, irrigando sempre que forem atingidos teores críticos de água no solo. O teor crítico de água no solo, identificado por meio de experimentos, é representado pelo teor de água entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente, abaixo do qual a planta gasta energia para consumir água, comprometendo conseqüentemente o desenvolvimento da cultura.
A determinação do intervalo entre irrigações é dependente do método ou sistema de irrigação. No sistema convencional de irrigação por aspersão, o turno de rega é calculado considerando a água disponível real. Na irrigação com pivô central, o intervalo entre irrigações é em função do consumo diário da cultura. Na irrigação localizada, se utiliza um pequeno intervalo entre irrigações, com o objetivo de manter o teor de água próximo à capacidade de campo – quantidade máxima que um solo pode reter de água após uma chuva ou irrigação.
  O manejo da irrigação pode ser realizado por medidas no solo, na planta ou climáticas (Silva, 2007).     O manejo via solo é realizado a partir do monitoramento da umidade no perfil do solo, sendo os principais equipamentos: tensiômetro, reflectometria no domínio de tempo (TDR), sonda de nêutrons, blocos de resistência elétrica. O tensiômetro é um dos equipamentos mais utilizados por possibilitar o conhecimento indireto do teor de água no solo, facilidade de utilização e baixo custo.
No manejo via clima, são utilizados métodos baseados em medidas climáticas na avaliação das necessidades hídricas da cultura. Com base nos dados de monitoramento climático é possível a determinação da evapotranpiração de referência (ETo), e a partir de coeficientes apropriados como o coeficiente da cultura - Kc, pode-se obter a evapotranspiração máxima da cultura (ETm).  Os métodos incluídos nessa categoria são o tanque classe “A” e equações empíricas, que utilizam medidas de radiação solar, umidade relativa do ar, velocidade do vento e temperatura do ar. O manejo da irrigação via planta consiste em determinar o grau de deficiência hídrica de uma cultura diretamente na planta, constituindo um método complexo, tendo sua principal utilização para fins de pesquisa. As principais técnicas de manejo de irrigação via planta são: (1) determinação da temperatura da parte aérea da planta por termômetro infravermelho; (2) medição do potencial hídrico foliar; (3) medição do fluxo de seiva.
Para concluir se destaca que a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenvolveu um sistema para realizar o manejo das irrigações em áreas irrigadas - o Sistema Irriga. O Sistema Irriga está disponível em um portal na internet e estima a necessidade diária de água a ser aplicada em cada cultura para as próximas 24 e 48 horas. É importante que o agricultor interessado em implantar sistemas de produção irrigados verifique junto a assistência técnica desde o início da realização do projeto, a forma que o manejo das irrigações serão realizadas, evitando assim, gastos excessivos com energia e água, recursos que se utilizados em excesso ou escassez provocam danos ao rendimento físico e econômico das culturas.

Pensando gestão rural - e a Água que está acabando... (!?)

Coluna Jornal O Celeiro - 26.04.2013


Carolina Bilibio            Carolina Bilibio, é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras/UniKassel. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br

Pensando gestão rural - e a Água que está acabando... (!?)

                A água é um recurso indispensável para a sobrevivência do homem e dos demais seres vivos no planeta. Desde que acordamos passamos a fazer o uso da água, utilizada na maioria das atividades do homem, tais como higiene, limpeza, alimentação, produção, energia etc. Por ser tão importante à existência do ser humano, frequentemente participamos ou escutamos discussões referentes ao uso da água, os quais a tratam como um recurso finito. Mas, será mesmo que a água está acabando? Pois bem, vamos aos números. As terras emersas no planeta representam 29% da superfície do planeta enquanto a água cobre 71% da área planetária. Porém, 97% desta água é salgada e está concentrada nos oceanos, restando 2,07% de água doce concentrada nas geleiras polares e somente 0,63% (ou ainda menos do que isso de acordo com outras bibliografias) de água doce disponível em rios e lagos, dos quais a humanidade pode realizar alguma utilização. É importante observar ainda, que a quantidade de água no planeta - 1,39 bilhão de quilômetros cúbicos, tem se mantido constante durante milhões de anos, pois o ciclo da água é fechado, ou seja, a ocorrência da evaporação da água na superfície dos oceanos e a evapotranspiração, que representa a transpiração das plantas e evaporação do solo no continente, promovem a condensação do vapor da água na atmosfera que irá formar as nuvens. Quando as gotículas de água presentes nas nuvens vencer a força da gravidade, a água retorna aos oceanos e continente na forma de precipitação líquida - chuva, ou sólida - neve. Desta forma não têm existido alteração na quantidade de água planetária.   
                Qual é então, a fonte de preocupação com a água, de que tanto se fala!? Existem dois principais desafios relacionados  a ela. O primeiro deles, é com relação à disponibilidade de água, por exemplo, embora o Brasil possua 12% das reservas mundiais de água doce, 80% desta disponibilidade se encontra na região amazônica onde se concentra somente 7% da população nacional, por outro lado, a região nordeste, possui 3,3% das reservas nacionais de água doce e 27% da população brasileira e por as outras regiões, possuem 16,7% das reservas de água doce nacional e 66% da população do Brasil. Estas diferenças não proporcionais entre a disponibilidade de água e a população é verificada em outros países e com situações ainda mais críticas, como a Jordânia, Egito e Israel, que possuem uma disponibilidade de apenas 500 m3.habitante-1.ano-1, enquanto estima-se que a necessidade mínima de uma pessoa seja 2000 m3.habitante-1.ano-1. O segundo desafio relacionado à água é com a qualidade. No Brasil, 85% dos esgotos produzidos são lançados nos cursos dos rios e lagoas, e um litro de esgoto inutiliza pelo menos 10 litros de água limpa. Em nível mundial existem 3 bilhões de pessoas, 42% da população (Brasil: 37% dos domicílios) sem saneamento básico, que como o próprio nome diz, é no mínimo, básico! De acordo com a Organização das Nações Unidas - ONU, a falta de saneamento provoca a morte de 1,6 milhão de crianças por ano por doenças associadas, como a diarreia.
                E o setor agrícola, precisa se preocupar com a água? Claro que sim, a deficiência hídrica ainda é uma das principais causas da baixa produtividade média das culturas. Aos produtores rurais cabe utilizar manejos que promovam a maior disponibilidade da água na sua propriedade e região, com manejos de conservação do solo e água, que minimizem a compactação do solo, já que o maior adensamento do solo diminui o espaço poroso e desta forma, a capacidade de retenção de água, a compactação aumenta ainda o escoamento superficial e a erosão. Um solo bem estruturado tem maior capacidade de infiltração, redistribuição e consequentemente, maior capacidade de armazenamento de água. A cobertura do solo com matéria orgânica (palha) contribui para reduzir a evaporação da água no solo, que poderá ser utilizada no atendimento da transpiração das culturas.
                Finalmente, se destaca que 22 de março foi o dia mundial da água, mas muito ainda precisa ser feito para comemorar este dia. 2013 foi declarado o ano internacional de cooperação pela água, pela Organização das Nações Unidas, com o objetivo de buscar e combater os problemas relacionados  a mesma. Fica a reflexão sobre a água como um convite para pensarmos medidas individuais que possam contribuir para a maior disponibilidade e qualidade da água coletiva.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Coluna Jornal O Celeiro - 25.07.2013

Coluna Jornal O Celeiro - 25.07.2013


Carolina Bilibio é doutora em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras/UniKassel. E-mail para contato: carolina.bilibio@yahoo.com.br
 
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Pensando gestão rural - e a agricultura familiar no Brasil

                A definição de agricultura familiar inclui aspectos relacionados ao tamanho da propriedade, predomínio de mão-de-obra familiar e gestão familiar da unidade produtiva (Junqueira & Lima, 2008). De acordo com a lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006, da Presidência da República que estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo,  simultaneamente, aos seguintes requisitos: - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; - utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; - tenha percentual mínimo da renda familiar (em torno de 50%) originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento, - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.
                O módulo fiscal, instituído pela Lei nº 6.746, de 10 de dezembro de 1979, é uma unidade de medida agrária que corresponde à área mínima necessária a uma propriedade rural para que sua exploração seja economicamente viável (Landau et al., 2012 - Embrapa Milho e Sorgo). A determinação do módulo fiscal é realizada para cada município considerando os tipos e a renda obtida com as explorações predominantes - horticultura, cultura permanente ou temporária, pecuária ou florestal. O módulo fiscal varia de 5 a 110 hectares, no município de Santo Augusto o módulo fiscal é de 16 hectares, Ijuí - 20 hectares, Chiapeta - 20 hectares.
                A agricultura familiar no Brasil é responsável por 84,4% (4.367.902) do total de estabelecimentos rurais (IBGE, 2006) e utilizam 24,3% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários brasileiros. A região nordeste e a região sul do país são as regiões que mais concentram empreendimentos agrícolas familiares, 50% e 19,2% do total respectivamente. A agricultura familiar é também responsável por pelo menos 60% dos alimentos consumidos pela população brasileira, é a agricultura familiar que produz 87% da produção nacional da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo, 58% do leite, concentra 59% do plantel de suínos, 50% do plantel de aves, 30% dos bovinos (IBGE, 2006). Por outro lado, os estabelecimentos rurais não familiares que representam 15,6% do total dos estabelecimentos têm a importância de produzir commodities que possibilitam a ampliação das exportações e a geração de saldo comercial positivo entre as exportações e importações no país.
                Mas não é só no Brasil que existe agricultura familiar. Nos Estados Unidos, o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos define agricultura familiar como qualquer fazenda organizada pela família, pode ser um indivíduo, uma sociedade ou corporação familiar. A agricultura familiar não inclui cooperativas e fazendas com gestores contratados. A agricultura familiar é responsável por 96% das fazendas americanas (Serviço Nacional de Estatística Agrícola, 2007) e está subdividida em fazendas familiares muito grandes com faturamento superior a $500.000; fazendas grandes, com faturamento entre $250.000 e $500.000; e fazendas familiares pequenas, com faturamento inferior a $250.000 e que representam cerca de 90% do total de empreendimentos agrícolas americanos.
                Na União Europeia, 47% do território é classificado como agrícola e cerca da metade da população reside em áreas rurais, incluindo comunidades de agricultores. A média das propriedades na União Europeia é de 15 hectares (Comissão Europeia, 2012). Para fins de comparação, a área média dos estabelecimentos familiares no Brasil variou de um mínimo de 13 hectares no Nordeste a um máximo de 43,3 hectares no Centro Oeste. Já a  área média dos estabelecimentos não familiares variou de um mínimo de 177,2 hectares no Nordeste a um máximo de 944,3 hectares no Centro-Oeste (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 2006).

                Para finalizar, é sempre importante destacar a importância de produzir alimentos com qualidade. Os dados publicados recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa (2011) indicam que apenas 37% dos produtos alimentares avaliados, como pimentão, morango, pepino, alface, cenoura, e outros estavam livres de agrotóxicos. A saúde da população também é de responsabilidade de quem produz alimentos. Dia 25 de julho se comemora o dia do Colono e Motorista e a sociedade agradece o trabalho destes profissionais incansáveis que alimentam e impulsionam o desenvolvimento do País. 

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